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    Midia

    Muito antes das redes sociais, boatos e mentiras já impulsionavam publicações em todo o mundo. Pasquins e gazetas europeias disseminavam notícias distorcidas, sobretudo com relação a personagens públicos. E qual o resultado? Boom nas vendas. 

    Troca de informações, debates, reflexões e organização de ideias entre os cidadãos nunca contaram com tantas possibilidades. Ligados em rede, quebramos os obstáculos das fronteiras. Agora, conversamos e trocamos figurinhas com pessoas a milhares de quilômetros. A interação digital é real, frutífera e altamente promissora.

    Contudo, essa plataforma fantástica permite também a disseminação de notícias falsas, semifalsas e meias verdades (ou verdades do avesso). Mas como isso tudo acontece?

    A Era da Pós-verdade
    O termo “pós-verdade” tornou-se bastante difundido em nossa época recente, após Brexit, eleições norte-americanas e impeachment de Dilma. Hoje, boatos e situações que refletem ou reforçam crenças e sentimentos particulares, às vezes, sobrepõem-se ao levantamento objetivo dos fatos. Ou seja, é tão ou mais importante consumir algo que vá ao encontro do que pensamos — mesmo se inverossímil — em comparação à verdade contrária a nossa visão de mundo.

    Mentir virou um negócio (bem lucrativo)
    Existem empresas e sites especializados em promover conteúdo falso. Eis a máquina de gerar receita: informações que fortalecem o olhar do leitor promovem alto tráfego que, por suas vez, potencializa os resultados em anúncios veiculados no site pelo Google AdSense. Aos anunciantes, o que parece um baita negócio pode não ser bem assim. Como o Google remunera baseado no trânsito observado no site, nem sempre a empresa anunciante alinha-se à orientação editorial da página, prejudicando até mesmo sua imagem institucional.

    Além disso, há sites também focados em apenas gerar conteúdo sensacionalista. Assim, o leitor mais desconfiado pode verificar a mesma notícia em diversos sites, formando uma verdadeira teia de distorções viralizada, e enxergar a realidade torna-se mais difícil. Sem falar em locais que vendem reações, comentários (positivos e negativos), compartilhamentos e afins, como o Brasil Liker.

    Ciclo vicioso patrocinado
    Pesquisas já apontam a manipulação pública por conteúdos, no mínimo, duvidosos. Perfis fictícios, páginas de discussão e robôs promovem envolvimentos artificiais. Trabalhando a favor dos algoritmos das redes sociais, por exemplo, o alcance tende a explodir, dada a suposta relevância de determinada abordagem. Isso legitima e dá a sensação de movimento natural daquela ideologia, ainda mais quando alguém próximo a nós, amigo ou familiar, reage, comenta ou compartilha tal conteúdo como verdadeiro. Governos, políticos e empresas promovem-se a partir desse meticuloso véu disfarçado de mera teoria da conspiração.

    Salve-se quem puder
    Nem sempre verificar a veracidade de um conteúdo é fácil. Há tantos detalhes e verdades inseridas em contextos falsos, que separar o joio do trigo pode nos derrotar pelo cansaço. O site Boatos.org e a Agência Lupa são bons exemplos de iniciativas oriundas desse cenário de pós-verdade. A Lupa define-se como “(…) a primeira agência de notícias do Brasil a checar, de forma sistemática e contínua, o grau de veracidade das informações que circulam pelo país”. Nesse mesmo sentido e após diversas críticas recebidas, Facebook e Google também já sinalizaram o desenvolvimento de ferramentas para combater a disseminação de conteúdos falsos. Segundo as duas gigantes, ambos não permitirão o anúncio desse tipo de conteúdo em suas plataformas, embora não tenham esclarecido de que maneira farão esse controle.

    O conhecimento tornou-se líquido em nossos tempos. Marcas estão mais próximas dos consumidores, humanizaram-se, mas boatos e informações distorcidas podem, facilmente, afetar negativamente sua imagem. O agravante, nesse caso, é a possibilidade de financiamento para denegrir concorrentes, numa acirrada e nada leal disputa por mercado ou eleitores, por exemplo. As ferramentas de comunicação ampliaram-se rapidamente. Para chegarmos a trocas e relações francas, precisamos, antes, dar algumas braçadas contra espinhosos obstáculos de desinformação.

    Se gostou deste conteúdo, compartilhe no Facebook e ajude seus amigos e conhecidos a também refletirem sobre esse importante assunto.

    Fontes:
    El País Brasil
    El País Brasil
    Nexo
    Nexo
    TV Brasil

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